Ralph Ribeiro Mesquita

Banca examinadora

Peter Henry Fry
José Flávio Pessoa de Barros
Patricia Birman
Yvonne Maggie
Carlos Guilherme Valle

Resumo

No início da década de 1981, uma nova enfermidade ocupa a mente de pesquisadores e da humanidade em geral. Associada ao HIV – Human Immunodeficieny Virus – e batizada de “síndrome da imunodeficiência adquirida” – AIDS -, logo toma corpo e assume características epidêmicas. Não respeitando qualquer fronteira, a epidemia de HIV/AIDS transforma-se no “mal do século”. No Brasil, ela se faz notar em 1983, com o anúncio dos primeiros casos.Este trabalho traz a análise de alguns aspectos da epidemia de HIV/AIDS, no que diz respeito aos grupos religiosos de candomblé, na cidade do Rio de Janeiro, principalmente no período que compreende o final da década de 1980, até os dias de hoje. Merecedores de atenção especial por parte de organizações não-governamentais, os grupos de candomblé participaram da construção de respostas voltadas aos cuidados e atenções aos portadores e doentes de AIDS, bem como à prevenção da contaminação pelo HIV.Com base em pesquisas sobre materiais produzidos por projetos sociais, bem como em entrevistas com alguns dos principais agentes destas iniciativas, constrói-se um perfil da representação da epidemia para o segmento social chamado afro-brasileiro. Concepções de morte, infortúnio, vida, destino, punição, AIDS, contaminação, sexualidade, entre outras, são analisadas à luz da perspectiva do candomblé e aproximadas das representações particulares emprestadas aos eventos cotidianos, discutindo-se a diversidade de significação sobre a problemática do HIV/AIDS e ressaltando-se diferenças e semelhanças entre os principais grupos constitutivos da sociedade brasileira.

ABSTRACT

In the early nineteen eighties, a new disease caught the attention of researchers and humanity in general. Associated with the HIV (Human Immunodeficiency Virus) and baptized as “Acquired Immune Deficiency Syndrome” – AIDS -, it soon took on epidemic proportions. Disrespecting all boundaries, the HIV/AIDS epidemic rapidly became the “mal du siècle”. Early Brazilian cases were recorded in 1983.This thesis analyzes some aspects of the HIV/AIDS epidemic as it regards candomblé religious groups within the city of Rio de Janeiro, during the period extending specifically from the late nineteen eighties to the present day. The object of special attention from non-governmental organizations, candomblé groups greatly contributed to organizing strategies for taking care of HIV and AIDS patients as well as to establishing preventive measures against contamination by HIV.Through materials produced by ISER’s (Instituto de Estudos da Religião or Institute for Religious Studies) Odô-Yá Project and by ABIA’s (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS or Brazilian Interdisciplinary Association of AIDS) Arayê Project, and in interviews with some of the principal agents of these initiatives, I have attempted to draw a profile of the epidemic’s representation among the so-called Afro-Brazilian segment of society.Conceptions of death, misfortune, life, fate, punishment, AIDS, contamination, sexuality, among others, are analyzed from the perspective of candomblé and held up to individual mirrors created by social agents to describe every day events related to the HIV/AIDS epidemic. Diversity of meaning within the HIV/AIDS problematic are discussed in interviews with individuals from the Afro-Brazilian religious community, as well as the differences and resemblances between these and other groups that constitute Brazilian society.