Maria Acselrad

Banca examinadora

Elsje Maria Lagrou
José Miguel Wisnik
José Reginaldo Santos Gonçalves

Resumo

O objetivo desta dissertação consiste em pensar as possibilidades de análise que a arte oferece à antropologia, enquanto objeto de estudo, que ao representar um sistema cultural, mais do que um reflexo da sociedade que a produz, se apresenta como uma reflexão sobre ela. A análise da brincadeira do Cavalo-Marinho – complexo festivo e espetacular que envolve dança, música e poesia, realizado por cortadores de cana-de-açúcar da Zona da Mata Norte de Pernambuco – pretende levantar uma discussão sobre a experiência estética enquanto elaboração de estilo intencional ligada a valores que almejam o melhoramento do mundo. Uma reflexão sobre os corpos em movimento desses brincadores se faz necessária na medida em que pluraliza e diversifica a concepção de povo purista e homogênea, predominante na interpretação de um grupo de intelectuais do início do século, e contribui para a compreensão do próprio corpo da brincadeira, ao serem valorizadas categorias como, por exemplo, a safadeza, que no Cavalo-Marinho se apresenta como uma das mais importantes técnicas produtoras de beleza. A arte da brincadeira enaltece a parceria como forma de celebrar a diferença e nos mostra que brincar é ter uma relação de cuidado com a vida.

ABSTRACT

This dissertation explores the analytical perspectives that Art allows to Anthropology, understood as a reflection about society. The research on the Cavalo-Marinho play – spectacular celebration involving dance, music and poetry organized by sugar-cane laborers in the Northern Zona da Mata of the state of Pernambuco, discusses the esthetical experience as an intentional elaboration of style, connected to values aiming the amelioration of the world. The analysis of the bodies in movement helps to criticize the purist and homogeneous visions about people, because throughout categories as “safadeza” – representing the ability to create beauty – the Cavalo-Marinho players exalt partnership as a way to celebrate differences, showing that to play means to take care of life.