Resumo

Esta tese tem como objetivo refletir sobre a forma como a problemática ecológico-ambiental se insere, enquanto um problema social, em um contexto de crise de Modernidade. A hipótese instituída é de que a incorporação desta problemática ocorre muitas vezes de forma contraditória e inconsistente e que por trás da cadeia meio-fins que dirige as ações sociais há diferentes modelos de racionalidade operando em tal processo. Tais modelos de racionalidade, por sua vez, expressam as distintas orientações, valores e representações que envolvem a ação humana sobre a natureza.

A essa incorporação incongruente da ecologia na vida social conjuga-se uma segunda proposição que compõe o corpo analítico deste trabalho: a referência teórica à noção de utilidade. Esta noção, comumente associada à idéia de maximização dos interesses pessoais e ao processo de “economização” da vida cotidiana – advindos e consolidados com o desenvolvimento da Modernidade – necessita ser reavaliada em seus fundamentos clássicos. Acreditamos que reconstruindo e redimensionando os significados dados a essa noção e caminhos que conformam as relações sociais quando estas envolvem e conjugam interesses pessoais, interesses coletivos e o meio ambiente.

A cidade de Angra dos Reis (RJ) foi o espaço empírico escolhido para dar forma a essa investigação. Foi o local onde foram observadas e mapeadas as representações sociais e as classificações valorativas de alguns agentes sociais envolvidos direta e indiretamente com as questões ecológico-ambientais na cidade.

Palavras-chave: Ecologia, meio-ambiente, utilidade, modernidade, ação social, Angra dos Reis.