Oswaldo Giovannini Junior

Esta tese aborda a visão de mundo e o ethos que fundamentaram o registro dos cantos vissungos por Aires da Mata Machado Filho no livro O negro e o garimpo em Minas Gerais. Com o exame das ideias do modernismo e da mineiridade presentes no contexto intelectual do autor, busco compreender a interpretação proposta pelo autor de tais cantos ligados à vida no garimpo da região de Diamantina/MG, na qual a noção de sobrevivência emerge de modo relevante. Ao mesmo tempo, os cantos vissungos e o “dialeto crioulo” se configuram em seu trabalho com um teor poético que traduz relações entre escrita e oralidade presentes em sua experiência de pesquisa e indicadas em seu texto. Abordo também a recepção da obra por intelectuais e pela sociedade brasileira mais ampla, ao enfocar a trajetória do autor e sua participação no Movimento Folclórico Brasileiro à frente da Comissão Mineira de Folclore. Examinam-se suas relações com o meio intelectual mineiro das primeiras décadas do século XX e a repercussão de suas ideias entre pesquisadores do folclore, dos falares e das festas populares e de afrodescendentes contemporâneos. Analiso ainda o retorno da pesquisa do autor, aproximadamente 80 anos mais tarde a seu local de referencia etnográfica, e a atual rede de relações e simbolizações construída em torno dos cantos vissungos, que envolve cantadores populares, intelectuais, artistas e agentes culturais. Ao traçar a história da produção e circulação de sua obra, a tese aborda, em suma, a ressonância das ideias de Aires da Mata na sociedade brasileira, percebendo sua vitalidade contemporânea.

 

Banca examinadora:
Profa. Maria Laura Cavalcanti, Presidente, PPGSA/IFCS/UFRJ;
Prof. Marco Antonio Gonçalves, PPGSA/IFCS/UFRJ;
Prof. André Botelho, PPGSA/IFCS/UFRJ;
Profa. Martha Abreu, UFF;
Prof. Carlos Sandroni, UFPE.