Jorge Custódio

Banca examinadora

Regina Lúcia de Moraes Morel
Elina Gonçalves da Fonte Pessanha
Marília S. Falci Medeiros

RESUMO

Esta pesquisa baseia-se na análise de dez histórias de vida de trabalhadores adultos que tiveram acesso à educação superior, durante a década de noventa, e que são egressos de três cursos de pré-vestibular “comunitário” (SINTURJ, CEASM E IPDH). Resgata as conexões entre as imagens e pressões do mundo do trabalho do Rio de Janeiro e a produção de interesses e motivações de trabalhadores por educação superior.
As identidades pessoais e coletivas dos trabalhadores são constantemente negociadas e redefinidas no transcorrer das mudanças do mundo do trabalho. Os trabalhadores desenvolvem imagens, ambições e projetos pessoais e culturais pra dialogar com as pressões da cultura do trabalho. Suas demandas por formação universitária expressam formas de interpretação e de atuação de trabalhadores no mundo do trabalho contemporâneo. Os trabalhadores recebem pressões das situações sociais do mundo do trabalho, marcadas pelos processos de flexibilização das relações de trabalho, de privatização de serviços públicos e de terceirização e pelos riscos de desemprego de longa duração, de desfiliação do mundo social e de transitar da formalidade para a informalidade. Essas situações produzem conflitos e renovações pessoais e s sociais para que os sujeitos (re)construam seus interesses e motivações.

Os trabalhadores também têm capacidade reflexiva para construir seus projetos de vida, interpretando e manipulando situações e significados sociais sobre o mundo do trabalho. O retorno aos estudos expressa a interação das pressões dessas situações com a capacidade reflexiva dos trabalhadores estudantes.

Para os trabalhadores estudantes, a busca do diploma universitário é a tentativa de começar a construir uma nova trajetória ocupacional e social. Trata-se de lutar por um novo lugar social. Diante das situações contemporâneas de reestruturação do trabalho e do emprego, esses trabalhadores consideram a educação superior como uma moeda cultural capaz de promover possibilidades de ruptura estrutural em relação aos seus destinos de classe. Através da aquisição de credenciais universitárias, querem ampliar as possibilidades profissionais, de status e de reconhecimento social e evitar experiências de mobilidade descendente. Para eles, a perspectiva de obter formação universitária significa a probabilidade de apresentarem-se e atuarem no mundo do trabalho de modo diferente das possibilidades herdadas da família de origem.

ABSTRACT

This study is based on analysis of then life stories of adult workers who had access to university level education during the nineties, having attended three “community” preparatory courses (SINTUFRJ, CEASM and IPDH). It rescues connections between images and pressures of Rio de Janeiro labor world and the production of workers’ interests and motivations as to university level education.

Workers’ personal and collective identities are constantly negotiated and redefined in the course of labor world changes. They develop images, ambitions and personal and cultural projects to dialogue with labor culture pressures. Their demand for university level education expresses forms of interpretation of an action in contemporary labor world.

Workers feel the pressure caused by social situation in the labor world, including the so-called “flexibilization” processes, public services privatization and outsourcing and the risks of long term unemployment, with defiliation from social world and passing from formal to informal work. These situations produce conflicts and personal and social renewal so that subjects may (re)build their interests and motivations. Workers also have the reflexive capacity to build their life projects, interpreting and manipulating situations and social meanings about labor world. To go back to study expresses the interaction of pressures in these situations with the reflexive capacity of the student workers.

For the student workers the search for university degree is an attempt to start building a new occupational and social path. It means to fight for a new social stand. In face of contemporary situations of labor and employment reestructuring, these workers consider university level education a cultural currency, able to promote possibilities of structural rupture regarding their class destinies. By means of acquisition of university credentials, they want to enlarge professional, status and social recognition possibilities and to avoid descending mobility experiences. For them the perspective of obtaining university level education means the probability of presenting themselves and acting in the labor world in a way that is different form the possibilities inherited from the original family.