Este trabalho tem como objetivo descrever o sistema de classificação presente em uma escola pública do Rio de Janeiro para investigar de que maneira este se relaciona com a produção de desigualdade entre os alunos. Por meio da observação participante, foi possível descrever diversos contextos de interação em que esse sistema é revelado e construído, tais como o conselho de classe e a sala de aula. O conselho de classe é o momento em que professores e equipe pedagógica da escola se reúnem para avaliar os alunos coletivamente e onde, portanto, as categorias de classificação são verbalizadas. A sala de aula é, por excelência, o espaço de interação entre professores e alunos. Essa interação é um momento de construção das representações e, consequentemente, de categorias dos professores sobre seus alunos. Sugere-se que os critérios que orientam a interação entre professores e alunos na sala de aula e o processo de julgamento moral que caracteriza o conselho de classe são regidos por uma moralidade que configura uma concepção particular de mérito e justiça. Essa moralidade está relacionada com as expectativas dos professores sobre seu papel social e o do aluno, bem como o espaço de agência e arbítrio do último frente a essas expectativas. Desta forma, ao desvendar os sistemas de classificação, com suas categorias e critérios morais, foi possível identificar os mecanismos que levam ao tratamento diferenciado entre os alunos e, portanto, perceber de que maneira a desigualdade é produzida.

 

Banca examinadora:
Profa. Yvonne Maggie, Presidente
Profa. Mirian Goldenberg
Profa. Helena Bomeny