Ana Amélia Brasileiro Medeiros Silva

Banca examinadora

Eljse Maria Lagrou
Mirian Goldenberg
Maria Cláudia Botelho

Resumo

Esta dissertação lida com o processo de tornar-se ator vivido por dois grupos de estudantes de escolas profissionalizantes (uma pública e outra particular) da cidade do Rio de Janeiro. Na situação de aprendizes, os estudantes posicionam-se reflexivamente em relação ao significado do que é ser ator, ao mesmo tempo reproduzindo os discursos instituídos pela escola e reelaborando tais discursos a partir de suas experiências e expectativas pessoais. Durante o processo de formação profissional, os estudantes passam a incorporar uma “ideologia do trabalho” associada à reelaboração da própria percepção de si, orientada para a aprendizagem de valores ligados a uma ideologia individualista. O “eu” torna-se instrumento de trabalho e existe um esforço de separação entre a esfera da vida pessoal da esfera do trabalho. Este quadro atual parece se diferenciar do perfil contracultural presente entre os estudantes de teatro na década de 80, como demonstrou Coelho (1989).

A partir de um exercício comparativo entre os grupos, o perfil sócio-econômico dos alunos de cada escola e os valores que guiam as representações sobre o “bom” ou “mau” ator são apresentados e analisados. Os discursos sobre “reconhecimento”, “sucesso” e “fama”, além dos pontos de vista com relação ao trabalho na TV, no teatro e no cinema também integram o estudo. A partir do posicionamento com relação a algumas estratégias de inserção no mercado e os “dilemas” que começam a ser vividos, ligados a diferentes “capitais sociais” e posições no campo das artes cênicas, algumas diferenças entre as noções de “trabalho” e “formação” são sublinhadas.