A organização do futebol brasileiro tem passado por mudanças relacionadas à adoção de lógicas empresariais de gestão por clubes tradicionais, até então caracterizados por estruturas de poder amadorísticas e definidas por relações políticas comunitárias. A transformação em curso tem sido caracterizada por agentes da mídia e do campo como uma “profissionalização” dos clubes, respondendo à demanda social por um rompimento com estruturas políticas tradicionais de caráter patrimonialista e oligárquico que caracterizaram a história institucional do futebol brasileiro. Buscando compreender sociologicamente o processo em curso, esta dissertação valeu-se da análise de fontes mistas em uma pesquisa que investigou cursos de formação de administradores esportivos, textos acadêmicos e manuais de gestão e marketing do esporte, eventos de membros da nova categoria profissional e discursos de agentes internos do campo.A partir de conceitos da Sociologia das Profissões, em diálogo com a Nova Sociologia Econômica e a Sociologia Institucional das Organizações, foi possível identificar e caracterizar atores e forças envolvidos em um processo de criação de um grupo profissional, associado à disputa por poder e monopólio da legitimidade de conhecimento e certificação. Concluiu-se que membros das novas categorias, ao buscar o poder e a consolidação profissional dentro de organizações, aliam- se às estruturas tradicionais do campo, o que lhes confere legitimidade ao mesmo tempo que reforça as classes dirigentes já estabelecidas, que passam a reivindicar-se favoráveis a mudanças. Assim, a ascenção do grupo profissional está associada à renovação da legitimidade de grupos estabelecidos.

 

Banca examinadora:
Profa. Maria Ligia Barbosa, Presidente;
Prof. Bernardo Buarque de Holanda;
Prof. José Sergio Leite Lopes;
Prof. Marco Aurélio Santana