Laura Senna Ferreira

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O estudo tem como questão central a análise dos processos de racionalização da empresa e do trabalho e as formas de recusa a eles a partir das práticas de resistência de uma categoria de ofício. O objetivo da tese é entender os impactos da reestruturação da indústria da reparação automotiva, a partir dos anos de 1990, nos saberes dos trabalhadores, na organização do trabalho e na gestão de negócios. O argumento desenvolvido é de que os projetos “reformadores”, que visam impor a ideologia do empreendedorismo ao setor, são contestados pelas experiências concretas dos sujeitos. Não raro, os trabalhadores, mesmo quando abrem o próprio negócio, são mais motivados pela busca de autonomia do que pela expectativa quanto a serem empresários. Argumentamos que as novas tecnologias automotivas, vinculadas à incorporação da microeletrônica aos automóveis e instrumentos de trabalho, atraem para o setor atores mais escolarizados e/ou munidos com ideias empresarias, inaugurando novas hierarquias associadas à capacidade de adaptação às “modernidades”. A tese discorre sobre os dramas e oportunidades trazidas pelas mudanças no que diz respeito às trajetórias e à coexistência entre velhos e novos desenhos identitários. Consideramos a oficina como espaço social de sociabilidades variadas onde opera racionalidades diversas, bem como local onde as relações econômicas estão mediadas por uma série de acordos sociais que trazem elementos de solidariedade em oposição à ferocidade competitiva do mercado puro. A presente questão é estudada com base em pesquisa qualitativa, principalmente, a partir do caso da indústria da reparação automotiva de Porto Alegre/RS.

 

Palavras-chave: racionalização; indústria da reparação automotiva; resistência; ofício do mecânico; identidades.