Samuel Leal Barquete

O trabalho trata de uma experiência de oficinas de formação e produção audiovisual, realizada ao longo de 2011, com as comunidades Xavante de Wederã e Etenhiritipá, localizadas na T.I. Pimentel Barbosa, estado do Mato Grosso, centro-oeste do Brasil. O processo em questão foi constituído pelo estabelecimento de uma parceria entre pesquisadores e xavantes, para o registro e produção de um documentário sobre ritual de iniciação dos meninos xavantes. Tal configuração abre um campo prático-discursivo para que o problema de “como viver junto” possa ser colocado de maneira que os indivíduos envolvidos se apresentem diante dessas questões, a partir das singularidades que definem suas práticas. Nesse sentido, a experiência parte de três eixos centrais: a participação simultânea de indivíduos tanto na equipe de filmagem quanto no ritual; a relação da câmera e do portador com a estrutura social e ritual Xavante; os paralelos entre as estruturas narrativas do ritual e do vídeo, e suas implicações para a montagem. Além disso, aborda-se a experiência no contexto de afirmação identitária por que passam populações como os Xavante, a partir da assimilação de tecnologias trazidas pelo contato. Na medida em que colocam em circulação imagens de si, os Xavante articulam os estereótipos existentes com discursos mais próximos daquilo que reconhecem como autêntico. Com isso, inserem a técnica em uma estratégia de sobrevivência cultural e de relação com a sociedade circundante. Trata-se do uso do vídeo na produção de uma maneira local de viver, em face da sociedade brasileira no capitalismo contemporâneo.

 

Banca examinadora:
Prof. Jean-François Véran, Presidente
Prof. Marco Antonio Gonçalves
Prof. Carlos Fausto