Ariley Pinto Rainho Dias

Resumo:

O objetivo deste trabalho é analisar o impacto das projeções sobre o futuro na vida cotidiana dos atores sociais a partir do caso do Jardim Batan, favela localizada em Realengo, na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no projeto das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Essa política pública, por meio de uma ocupação policial permanente, oferece aos moradores a melhoria nas favelas da cidade à medida que novos serviços públicos forem sendo oferecidos ao longo do tempo, como uma forma de solução para os problemas de segurança no Rio de Janeiro. O Batan foi a terceira favela a integrar o projeto, o que se deveu devido, principalmente, a um fato pontual – a repercussão pública sobre um caso de tortura praticado por milicianos contra jornalistas. A elaboração de um prognóstico sobre o que virá, as projeções, resulta em uma coordenação de ações, os projetos, para realizar a predição ou a evitar em caso de um futuro não desejado. Por meio de entrevistas e de observação participante, este estudo pretende analisar em que medida a utopia proposta pelas UPPs mudou a percepção dos atores sobre os procedimentos necessários para conseguir trazer melhorias ao Batan em um momento posterior. Proponho que a mobilização sobre a existência de um sofrimento comum entre os moradores da favela possui uma importância fundamental para engaja-los em torno de uma previsão, pois os engajamentos afetivos permitem que a demanda por um bem, entendido aqui como um elemento mobilizado para justificar uma dada configuração situacional, consiga ser distendida ao longo no tempo. A falha do projeto das UPPs em demonstrar a eficácia de uma abordagem baseada em elementos cívicos para atacar o quadro geral de problemas dos moradores, entendido aqui como uma situação permanentemente indefinida, corrobora a emergência de projeções que visem bens direcionados a um grupo restrito de indivíduos, mesmo que nem todos em posição desigual consigam alcançá-los.

Palavras-chave:

futuro;favela;UPP;engajamento;afetividade

Abstract:

The aim of this study is to analyze the impact of the projections about the future in everyday life of social actors throughout the case of the inclusion of Jardim Batan, a favela in Realengo, Rio de Janeiro, in the initiative called Pacifying Police Units (UPPs). This public policy offers the improvement in the favela’s life conditions through the permanent police occupation, as new public services are being offered over time, as a solution to the security problems in Rio de Janeiro. The Batan favela was the third to join the project, which was due mainly to a isolated fact – the public attention on a case of torture committed by militiamen against journalists. The development of a prediction about what will come, projections, results in a coordination of actions, projects, to make the prediction or to avoid in case of a future unwanted. By means of interviews and participant observation, this study aims to analyze to what extent the utopia proposed by the UPP has changed the perception of the actors on the procedures necessary to achieve improvements to Batan at the future. I propose that the deployment of the idea of a common suffering among the favela inhabitants plays a fundamental role to engage them around a prediction because the affective commitments allow the demand for a good – here understood as a mobilizing element to justify a given situational configuration – can be extended over time. The UPPs project failure to demonstrate the effectiveness of an approach based on civic elements to attack the general framework of problems of the residents, understood here as a permanently indefinite situation, confirms the emergence of projections aimed goods targeted to a limited group of individuals even though not all in unequal position would be able to reach them.

Keywords:

future;favela;UPP;commitment;affectivity

Orientador:

ALEXANDRE VIEIRA WERNECK