Banca examinadora

Regina Célia Reyes Novaes
Dulce Chaves Pandolfi
Lícia Valladares
Luiz Antonio Machado da Silva
Patrícia Birman

Resumo

O objeto desta tese são as relações entre cidadania, violência e paz , na percepção dos moradores do bairro carioca do Grajaú. Para apreendê-las, examino a relação do bairro com suas favelas no contexto de violência e insegurança, que ali se desenvolveu a partir da segunda metade dos anos 90. Considero a influência das interpretações que, na década, dominaram o debate público na cidade do Rio de Janeiro, vinculando de formas diversas a violência às favelas. Analiso as concepções e os discursos sobre cidadania e violência que então emergem no bairro. De outro ângulo, investigo como o espaço físico do bairro (praças, ruas, encostas) é apropriado por seus habitantes e examino as negociações simbólicas para a delimitação deste espaço (quem é considerado morados, quem fala para o bairro e pelo bairro, etc.),, em conexão com as situações de violência e conflitos ali experimentadas. Procuro perceber como a proximidade geográfica entre “asfalto” e favelas no bairro associa-se às distâncias sociais e culturais entre e intra moradores de um e outras, bem como analiso as mediações que ali se estabelecem entre ambos e sua vinculação às interpretações de solidariedade e paz.

ABSTRACT

The present thesis studies the relationships between citizenshiip and peace, according to the perceptions of the people living in Grajaú, a quarter in Rio de Janeiro. To understand these relationships, the quarter interaction with the surrounding slums is analyzed in the evolving context of violence and insecurity that started in the half of the nineties. The influence of interpretations linking various forms of violence to the slums (a major point of view in the public debate in Rio de Janeiro during the last decade) is taken into consideration. The conceptions and discourses about citizenship and violence emerging then in the quarter are also analyzed. As a complementary angle, the appropriation of neighborhood physical space (squares, streets, hillsides) by its inhabitants is investigated, and the simbolic-negotiated space delimitation (who is considered a resident, who speaks to the quarter and for the quarter, etc.) are examinated in connection with the violent and conflicting situations experienced here. I also attemp to demonstrate how the geographic proximity between the quarter residents and slums residents are associated with the social and cultural distances inside and between each group. Finally, I will analyze the mediations established between both groups, as well as the connections between those mediations and interpretations of solidarity and peace.