Alana Cristina Gomes da Silva

Banca examinadora

Marco  Antônio Gonçalves
Márcia Contins
Mirian Goldenberg

RESUMO

A forma escolhida para a apresentação desta dissertação pretende opor a consideração sistemática da união mito-rito, ou literatura-reunião, como uma realidade biface, um sistema de duas projeções (sobre o plano da ação e o plano da representação intelectual) de uma mesma realidade – a construção de microsociedades no universo de Narcóticos Anônimos. Trata-se o mito vislumbrando o novo universo que se apresenta ao adicto recém-chegado. Durante a apresentação da bibliografia própria e, principalmente, dos Passos, Orações e Tradições, procuro imergir nas expressões e termos próprios do NA, tal qual o adicto que chega, ou melhor, o visitante que entra em contato com um universo completamente novo, desafiador, cheio de expressões e códigos específicos.

Além disso, busco os significados de um mito de origem que norteia os grupos em sua expansão nos dias atuais, os significados da dependência, como ela se configura para os membros de NA, de que maneira NA lida com o desejo de consumo, como é elaborada a cura, ou o processo de afastamento das drogas, como as pessoas vivenciam esse afastamento no cotidiano. O rito busca aprofundar a entrada no universo, na tentativa de participar ritualmente, como ocorre o processo de fazer parte de NA; o ingresso no programa, reuniões: tipos, estrutura (o que acontece e como), festas, troca de fichas, fichas (etapas); apadrinhamento e formas de contato. Neste momento também é possível contrapor a estes fatores questões como anonimato, identidade, e a oposição entre coletividade e indivíduo.