Banca examinadora

Prof. Luiz Antonio Machado da Silva, Presidente
Profa. Elina Pessanha
Prof. Frederic Vandenbergue

Resumo

O objetivo desse estudo é interpretar o sentido da ação revolucionária de cunho marxista propondo uma sistematização e uma exposição que ressalta os traços ideais típicos da relação entre a filosofia política de Karl Marx e o engajamento militante. A fim de pensarmos a relação entre a tradição e a ação, nos remetemos tanto às obras de Marx quanto aos textos produzidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para a formação política. Essa interpretação passa por uma reflexão acerca dos fundamentos do engajamento político, pois o consideramos como um processo problemático e instável que comporta níveis diferentes de envolvimento: qual a concepção de justiça que subjaz o vínculo socialista? O que justifica a necessidade da revolução? O que fundamenta a crença na causa revolucionária? A partir da discussão proposta pela sociologia pragmática de Luc Boltanski e Laurent Thévenot, sistematizamos uma ordem de justificação (a “cidade comunista”) que se caracteriza pelo imperativo do “engajamento total”, no qual os militantes julgam a sua própria grandeza a partir de alguns temas da tradição marxista – o trabalho, a associação, a crítica à representação política,  o desenvolvimento dos indivíduos, a práxis, etc. Essa perspectiva ressalta a competência crítica dos atores sociais em fundamentar o consenso num mundo plural, onde convivem divergentes concepções de justiça. Por outro lado, nos remetemos às reflexões de Marcel Mauss e Alain Caillé sobre a dádiva a fim de pensarmos como a crença e a confiança nascem em um mundo marcado pela suspeita e pela crítica. O envolvimento mais profundo numa causa pressupõe uma doação de si que transcende as obrigações da justiça. Não se trata somente de se ajustar, mas de se doar. Nossa hipótese é que a crença e a confiança mútua só nascem quando os atores sociais julgam a autenticidade uns dos outros precisamente por aquilo que em suas performances transcende as convenções e, ao mesmo tempo, as reafirma: os atos espontâneos e criativos de interpretação.