Carlos Augusto Teixeira Magalhães

Banca examinadora

Profa. Maria Ligia de Oliveira Barbosa, IFCS/UFRJ;
Prof. Pedro Paulo de Oliveira, IFCS/UFRJ;
Prof. Cláudio Chaves Beato Filho, UFMG;
Prof. José Luiz de Amorim Ratton Junior, UFPE

Resumo

No presente trabalho, analisamos as formas pelas quais homens que se encontravam presos no período da pesquisa relatam a sua própria trajetória de vida e o seu envolvimento com o crime. Partimos do pressuposto – a ser verificado empiricamente – de que esses

relatos podem ser compreendidos com base no conceito de “sujeição criminal”, ou seja, o processo de construção social do agente de práticas criminais como “sujeito criminoso”. Visando a definição do objeto da análise – os relatos sobre a experiência da sujeição criminal construídos pelos agentes – utilizamos como referência a
etnometodologia. O levantamento de dados foi feito por meio de entrevistas em profundidade, orientadas por um roteiro semi-estruturado. Foram realizadas cinqüenta e cinco entrevistas em três estabelecimentos penais da Região Metropolitana de Belo Horizonte – MG. Orientados pelo conceito de “sujeição criminal”, procuramos, em primeiro lugar, verificar se e de que maneira os entrevistados associam a infância, as condições sócioeconômicas, a influência dos outros e o local de moradia com o envolvimento com atividades criminosas. Em segundo lugar, procuramos verificar como são abordadas as questões relacionadas aos custos e benefícios inerentes à prática de crimes. Finalmente procuramos verificar como os entrevistados abordam a dimensão moral da atividade criminosa e como avaliam a pena que lhes foi imposta. A principal conclusão é que os entrevistados, de um modo geral, constroem seus relatos partindo da premissa de que são “sujeitos criminosos”, no entanto, assumem diferentes posicionamentos em relação ao processo de sujeição: a aceitação, a amenização e a neutralização.