Rodrigo Theóphilo Folhes

Banca examinadora

Marco Antônio Gonçalves
José Reginaldo Gonçalves
Vagner Gomes da Silva

RESUMO

Pretendo neste estudo discutir o fazer antropológico por meio de um relacionamento etnográfico sui generis entre o antropólogo norte americano William Crocker e os Ramkokamekra-Canela. Os caminhos que me conduziram na escrita dessa dissertação se encontram na contemporaneidade das perspectivas antropológicas aliadas ao novo processo histórico ao qual as sociedades indígenas brasileiras vêm se defrontando, particularmente os índios Canela (o que era uma questão de terras desdobrou-se para uma expectativa generalizada com relação à questão de autosustentabilidade por meio de “projetos”), assim como na eventualidade da pesquisa de campo. Apesar do enfoque geral da pesquisa contrapor-se aos estudos recorrentes, quando se fala em grupos Jê, minha intenção é, justamente, tomar o fascínio exercido pela estrutura sócio-cultural desses povos enquanto descrições antropológicas, e discutir a totalização do termo campo.

Com base na etnografia de um ritual antropológico, procurei pensar a questão da prática etnográfica, em relação a uma dinâmica de processos sociais concebidos por distintos personagens, sem os quais não seria possível a realização do trabalho de campo, e das teorias que constroem (ou moldam) a forma de conduzir uma etnografia. Desse complexo de representações e significados procedo a uma análise que parte do princípio que a etnografia se faz no “estar lá” e no “estar aqui”, parafraseando Geertz. Assim, ao descrever e analisar a produção de um relacionamento etnográfico o faço a partir de um espaço-tempo onde todos os agentes sociais são sujeitos na apreensão de uma “cultura”. Dentro desse contexto, meu interesse residiu tanto em “como escreve o antropólogo”, quanto em “como trabalha o antropólogo”.