Banca examinadora

Glaucia Villas Bôas
André Pereira Botelho
Lorelai Kury

RESUMO

O Jardim Botânico do Rio de Janeiro se encontra entre as primeiras instituições culturais e científicas criadas por D. João VI após a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808. Com o propósito de aclimatar e introduzir as especiarias orientais no Brasil e fim de expandir o comércio mercantilista português, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, assim como seus congêneres, também se dedicava ao papel educativo de reaproximação do Homem à natureza.

Nesse sentido, a relação que se estabelece entre natureza, sociedade e ciência, a partir da implementação dos jardins botânicos, nos permite esclarecer os mecanismos presentes no processo de construção social do Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Criado para atender uma demanda social que conciliava o domínio científico da natureza, o surgimento das cidades e sua crescente urbanização, o Jardim Botânico se tornou palco de duas novas formas de sociabilidade: a lúdica, na qual os amantes da natureza buscavam refúgio da cidade inspirado em um gosto burguês de contemplação da paisagem; e a científica, onde os naturalistas se encontravam para discutir e estudar os métodos de classificações científicas diferentes, confrontando o modelo europeu e o tropical.

A partir de sua inserção no contexto específico da segunda metade do século XIX no Brasil, pretendemos entender a importância que o Jardim Botânico do Rio de Janeiro possuía para a sociedade, motivando a sua conservação ao longo do tempo, e, que hoje nos permite enquadra-lo ou classifica-lo como um patrimônio histórico, natural e cultural da cidade do Rio de Janeiro.