Esse trabalho tem como objetivo compreender as representações encontradas no discurso dos participantes de ambientes virtuais que promovem encontros entre homens para sexo/relacionamento. Através da análise do material postado nesses sites, pode-se notar uma dinâmica complementar e ao mesmo tempo contraditória entre modelos normativos: por um lado, persiste o binarismo heteronormativo que associa a posição sexual do ativo – aquele que penetra – à masculinidade, e a do passivo – que é penetrado – à feminilidade. Por outro lado, é insistente o reforço de elementos da masculinidade tradicional por parte de muitos participantes, mesmo quando se definem como passivos, numa tentativa de descolar essa posição sexual da pecha de afeminação. Assim, observa-se um deslocamento do estigma, que agora recai só sobre o afeminado, não mais sobre todos os passivos. Porém, entrevistas com alguns dos usuários e experiências pessoais, além de postagens dos próprios participantes em que debatem o mercado homoerótico online, demonstram como o jogo das classificações é situacional e oscilante: o trânsito do discurso na rede e na vida “real” não permite que engessemos as categorias; as performatividades que se desenrolam no universo virtual são sempre incompletas e abertas a falhas e deslocamentos.

 

Banca Examinadora:
Prof. Pedro Paulo Oliveira, Presidente
Profa. Luisa Elvira Belaunde
Prof. Jean-François Véran
Prof. Peter Fry
Prof. Sergio Carrara