Banca examinadora

Regina Célia Reys Novaes
Dulce Chaves Pandolfi
Elina Pessanha
Federico Neiburg
Maria Rosilene Alvim

Resumo

Tomando como caso de estudo a cidade de La Plata, uma das mais afetadas pela repressão durante a última ditadura militar em Argentina (1976-1983)m esta tese aborda a experiência de um conjunto de familiares de desaparecidos que compartilharam a situação limite do seqüestro e a desaparição de parentes. Entre a história oral e etnografia, se estudam as estratégias práticas desenvolvidas por estes indivíduos para dar sentido a um estado de violência e inversão simbólica de seu entorno social e cultural.
A partir do seqÜestro, os indivíduos e grupos mergulharam em um mundo alterado pela repressão política, onde todas suas referências identitárias e certezas prévias foram desmanteladas. Nesta tese se privilegia não um tempo cronológico linear, senão a recuperação de processos de construção de sentido que, mesmo que afetados pelos “problemas” – mais amplos do país em sua história recente, tem uma temporalidade e contornos específicos. Cada um dos capítulos mostra formas de fazer público um drama família-que-se-tornou nacional.
O seqüestro como fato desconhecido, a desaparição como categoria a ser recortada e mantida como problema, levou a elaborar inéditas formas de pensar e lidar com a condição de familiar de “desaparecido”. Ao longo da tese se remarca esta categoria em sua permanente construção, em seus riscos e poderes de significação, em suas oposições à morte. Da energia liberada por esta singular oposição, emergem práticas de memória. Se resgatam todas aquelas expressões públicas que nascem como novas moedas políticas para estender fronteiras simbólicas e somar novos públicos ao problema dos desaparecidos. Assim, os territórios conquistados pelos familiares em rituais, comemorações e homenagens que deixam marcas em monumentos e placas, são uma fonte substancial para entender os patamares, substratos, clivagens e ondas que percorrem a memória e as práticas de uma série de agentes que excede os limites da definição como familiar. Mesmo assim, em este amplo conjunto as representações de parentesco, os laços primordiais são destacados como a ferramenta simbólica mais eficaz para trasladar o problema dos desaparecidos no horizonte político e cultural argentino.
Dentro da lógica e os tempos deste problema, cada prática política e cultural vai outorgando novas formas de manter este problema na esfera do público. A construção de representações sobre verdades e os distintos espaços que podem ser utilizados para defender e exigir idéias de justiça, completam o processo de construção de sentidos perseguido.
A etnografia das estratégias de memória dos familiares de desaparecidos busca objetivas um problema profundo para compreender as transformações em curso da cultura e política argentinas contemporâneas e o problema geral das possibilidades humanas para construir sentidos do mundo quando este parece desaparecer.

RESUMEN

Tomando como caso de estudio lla ciudad de la Plata (Argentina), una de las más afectadas por la represión durante la última dictadura militar (1976-1983), esta tesis aborda la experiencia de un conjunto de familiares de desaparecidos que compartieron la situación limite del secuestro y la desaparación de parientes. Entre la historia oral y la etnografia, se estudian las estrategias prácticas desarrolladas por estos individuos para dar sentido a un estado de violencia e inversión simbólicas de su entorno social y cultural.
A partir del secuestro los individuos y grupos comenzaron a sumergirse en un mundo alterado por la represión política, donde todas sus referencias identitarias y seguridades previas quedaron desmanteladas. En la tesis se trabaja no en un tiempo cronologico linear, sino recuperando procesos de construcción de sentidos que, aún afectados por los “problemas” más amplios del país en su historia reciente, tienen una temporalidad y contornos específicos. Cada uno de los capítulos muestra formas de hacer público un drama familiar que devino nacional.
El secuestro como hecho desconocido, la desaparición como una categoria a ser mantenida y recortada como problema, llevó a elaborar inéditas formas de pensar y lidar con la condición de familiar “desaparecido”. La tesis remarca esta categoria en su permanente construcción en sus riesgos y poderes de significación, en sus oposiciones a la muerte. De la energia liberada por esta singular oposición, emergen prácticas de memoria. Se rescatan a lo largo de este trabajo todas aquellas expresiones públicas que nacen como nuevas monedas políticas para extender fronteras simbólicas y sumar nuevos públicos al problema de los desaparecidos. Asi, los territorios conquistados por los famillliares en rituales, conmemoraciones y homenajes que dejan marcas en monumentos y placas, son una fuente substancial para entender los umbrales, substratos, clivajes y ondas que recorren la memoria y las prácticas de una serie de agentes que excede los limites de la definición como familiar.En este conjunto amplio, sin embargo, las representaciones de parentesco, los lazos primordiales son destacados como la herramienta simbólica más eficaz para trasladar el problema de los desaparecidos en el horizonte político y cultural argentino.
Dentro de la lógica y los tiempos de este problema, cada práctica política y cultural va otorgando nuevas formas de mantener este problema en la esfera de lo público. La construcción de representaciones sobre verdades y los distintos espacios que pueden ser utilizados para defender y exigir ideas de justicia, crean el cierre del proceso de construcción de sentidos perseguido.
La etnografia de las estrategias de memoria de los familiares de desaparecidos busca objetivar un problema profundo para comprender las transformaciones en curso de la cultura y política argentinas contemporaneas y el problema general de las posibilidades humanas para construir sentidos del mundo cuando este parece desaparecer.