Maria Izabel dos Santos Garcia

Banca examinadora

Prof. Emerson Giumbelli, Presidente
Prof. Marco Antonio Gonçalves
Profª Elina Pessanha
Profª Ana Regina Campelo
Profª Simoni Lahud Guedes


Resumo

Os surdos ainda têm muito a nos dizer sobre suas práticas, sua modalidade de língua, suas crenças, valores e formas de organização. Esse trabalho pretendeu entender um pouco desse “mundo próprio”, dessa forma de estar no mundo a partir de um pouco de vista filosófico-antropológico, tendo como viés metodológico a etnografia e a história oral desse grupo social. O mote principal foi o entendimento de como as redes de socialidade – a partir de associações, escolas e instituições de pesquisa – impuseram uma nova visibilidade da surdez/surdos, instituindo e gerando novas palavras de ordem e linhas de fuga em meio ao movimento social dos surdos 90. Desse modo, o PROLIBRAS, exame tornado obrigatório pelo MEC desde 2006 e que tem como objetivo certificar surdos e ouvintes quanto à sua proficiência na LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), vêm sendo questionado e disputado por instituições e lideranças de grupos de surdos. Portanto, vimos emergir a produção de novos processos de minorização, de subjetividades atravessadas pelo emprego e valorização da idéia de uma iddentidade/cultura/povo surdo como marca de um território que pretende – a partir da diferença e da língua de sinais – alcançar a tão almejada acessibilidade aos bens culturais de uma sociedade em caráter de eqüidade. Em meio à essa luta, novas palavras de ordem emergem na tentativa de substituir velhos sentidos. È o que acontece com a recente substituição de termos como “integração” por “inclusão”, “deficiente” por “portador de necessidades especiais”, “deficiente auditivo” por “surdo”. Assim, novos discursos são lançados ao ar, num jogo permanente e intrínseco à dinâmica das formas de sociabilidade humana.