Rachel Paterman Brasil

Esta dissertação apresenta uma perspectiva sobre monumentos arquitetônicos que permite que sejam concebidos como um interessante objeto de investigação antropológica. Sua proposta consiste em “retorná-los” às relações sociais e simbólicas cotidianas de que fariam parte e que os constroem a cada dia, não importando as qualidades aparentemente “concluídas” ou “inertes” que podem assumir junto a seus admiradores. Esta pode ser compreendida como uma possibilidade diferente de abordar monumentos se considerarmos questões amplamente compartilhadas em torno da presença da “mão humana” em imagens concebidas como “puras” e “autênticas”. Tomando como campo de observação um edifício público localizado no centro do Rio de Janeiro que é apreciado como um monumento da arquitetura moderna – o Palácio Gustavo Capanema –, esta etnografia procura descrever as complexas interações que dia após dia constituem e são constituídas por essa forma construída. Conforme deverá ser elucidado, longe de ser nada mais que um ponto departida contraditório e mesmo inadequado para abordar monumentos, sua dimensão cotidiana – as atividades rotineiras de manutenção e administração – podem revelar sentidos profundos subjazendo ao uso desta categoria.

 

Banca examinadora:
Prof. José Reginaldo Gonçalves, Presidente;
Prof. Octavio Bonet;
Profa. Márcia Chuva.