Banca examinadora

Prof. José Reginaldo Gonçalves, Presidente
Profa. Elsje Lagrou
Prof. Gilberto Velho

Resumo

Nas últimas décadas, imagens reunidas sob a categoria Rio Antigo são apresentadas em livros e jornais, galerias, museus e centros culturais da cidade, tornando-se alvo de colecionamentos. São imagens que capturam, em um instante fotográfico, os fragmentos de um passado já inexistente, mas não inacessível.

Esta dissertação de mestrado é resultado de uma pesquisa etnográfica realizada em 2009 que se propôs refletir sobre alguns aspectos das representações da vida urbana e construção de identidades no Rio de Janeiro, sob a ótica de uma rede peculiar de colecionadores de fotografias cuja coleção compreende desde álbuns de família, nem sempre a própria, até negativos de renomados fotógrafos do século passado. Minha intenção foi a de traçar alguns comentários e interpretações a respeito da concepção e montagem, ordenamento e serialidade  deste agrupamento de objetos por esta reunião de pessoas. Propus-me uma incursão nos modos através dos quais estes colecionadores angariam, trocam e redistribuem documentos  visuais, buscando levantar alguns questionamentos acerca de sua particular apropriação das  transformações urbanas; das demolições e substituições ocorridas nos cenários da cidade. Retomo alguns debates relevantes sobre práticas de colecionamento e operações de memória para dialogar com esta iniciativa que coloca o espectador diante de uma exposição de pessoas, edifícios, praças e monumentos de um Outro cotidiano, um cotidiano passado e sintetizado metonimicamente em imagens tão identificáveis quanto estranhas, tão antigas quanto novas.

Palavras-chave: Rio Antigo, memória, fotografia e coleções, exposições virtuais, montagens fotográficas.