Banca examinadora

Maria Rosilene B. Alvim
José Reginaldo S. Gonçalves
Regina Célia Reyes Novaes
Maria Cláudia Coelho
Santuza C. Naves


Resumo

Este trabalho tem por objetivo discutir as dimensões simbólicas da idolatria, a partir da reflexão sobre a trajetória biográfica e musical do cantor e compositor Raul Seixas. Pretende-se aqui analisar os significados atribuídos ao artista e a sua obra, identificando como são classificados e interpretados tanto por aqueles que o conheceram e acompanharam sua carreira quanto por anônimos admiradores. Morto em 1989, aos 44 anos de idade, a despeito da ausência física, a admiração e o interesse por sua obra musical e por sua persona intensificaram-se. Multiplicam-se narrativas, transformadas em quadrinhos, livros, poesias, cordéis, vídeos, ensaios, e em sua homenagem organizam-se tributos, shows, passeatas. Admirado e seguido por muitos, Raul Seixas inspira variadas formas de identificação e sociabilidade, revelando-se um personagem “deslizante”, escapando as definições mais estabilizadoras e consensuais. E a sua obra continua sendo objeto de discussões e polêmicas, por parte de fãs, críticos musicais, analistas. Do mesmo modo, sua imagem pública, é alvo de apropriações constantes. Assim como em vida, obsessivamente procurou distinguir-se, assumindo várias personas (guru, profeta, rockeiro rebelde) depois de sua morte, “ele teima em perturbar”.