MAÍRA SOUZA E SILVA ACIOLI

Esta dissertação tem como objetivo analisar a regulação das atividades dos mototaxistas realizada pelo comando da Unidade de Polícia Pacificadora da Rocinha. Este objeto tem interesse para o presente trabalho por articular alguns elementos fundamentais para compreender o momento pelo qual passa o Rio de Janeiro. Desde sua origem, nos primeiros cortiços, até os grandes complexos de hoje em dia, as favelas cariocas passaram por grandes transformações. Os “problemas” que as favelas representam para a cidade variaram historicamente, e cada momento mobiliza um conjunto de saberes e técnicas adequados para a sua “solução”. A legislação urbana teve um papel central na instrumentalização do espaço urbano, permitido que os espaços da pobreza, precarizados do ponto de vista jurídico, pudessem ser remanejados de acordo com os interesses das elites políticas e econômicas. A informalidade generalizada da propriedade e dos serviços que circulam nas favelas se constitui num dos pontos geradores de debates e reflexões. O interesse na incorporação deste “mercado informal” se baseia na percepção de que há uma grande quantidade de riqueza circulando sem que possa ser capturada pelos circuitos formais da economia. No Rio de Janeiro a implementação de uma política de segurança específica para as favelas apresenta relações importantes com um projeto de expansão das fronteiras de acumulação de capital. Esta junção dá os contornos para as formas de controle usadas no caso dos mototaxistas da Rocinha.

 

Banca examinadora:
Profa. Joana Domingues Vargas, Presidente
Prof. Daniel Veloso Hirata
Prof. Luiz Antonio Machado da Silva
Prof. Carlos Bernardo Vainer