Banca examinadora

Profa. Elsje Lagrou, Presidente
Profa. Maria Laura Cavalcanti
Prof. Cesar Gordon

 

Resumo

O objetivo do presente trabalho é por em cena o hoxwa, “palhaço cerimonial” Krahô, focalizando-o em seus respectivos contextos de apresentação, sejam as improvisações cotidianas ou as esquetes cômicas no Játyopi, ritual ligado à fertilidade das roças e que, como conta o mito de origem, foi aprendido com as plantas cultivadas. O argumento se constrói através da leitura das etnografias ameríndias, especialmente os estudos dos povos Jê, e do trabalho de campo com os Krahô (TO, Brasil). O hoxwa transgride os tabus, inverte a moral, brinca com imagens da alteridade “encorporadas” de maneira caricata. Sem falas, apenas mímicas, a performance se fundamenta em “gestos-comportamentais” que ressaltam a dimensão da corporalidade, uma estética da ação e do movimento. A tese central é de que um olhar atento ao comportamento-ritual e à construção da identidade complexa do personagem nos permite conectar temáticas importantes relacionadas às sóciocosmologias indígenas: os processos do parentesco, as relações com as várias formas da alteridade, a tensão entre vida e morte, corpo e alma, nome e substância, as práticas estabilizadoras e os estados de alteração e metamorfose.

Palavras-chave: Krahô; Palhaço cerimonial; Ritual; Mitologia; Corporalidade; Alteridade.