Maurício Hoelz Veiga Júnior

Banca examinadora

Prof. André Botelho, Presidente
Profa. Elide Rugai Bastos
Prof. João Marcelo Ehlert Maia

Resumo

Esta dissertação tem como objetivo reconstituir analiticamente uma seqüência intelectual da sociologia brasileira referente à problemática substantiva da violência numa ordem social pessoalizada, tomando como eixo da investigação o trabalho de Maria Sylvia de Carvalho Franco Homens livres na ordem escravocrata (1969). Partindo da pesquisa de Franco, propõe-se tratar e qualificar esta questão em três momentos distintos do pensamento sociológico brasileiro: nos chamados ensaios de interpretação do Brasil das décadas de 1920 e 1930, na sociologia recém-institucionalizada das décadas de 1950 e 1960 e nas ciências sociais contemporâneas incluindo a especialidade sociologia da violência. Percorrendo estes três momentos, a investigação busca continuidades e descontinuidades cognitivas entre os trabalhos destacados que permitam religar os fios que estruturam a seqüência em torno da caracterização sociológica da questão examinada. A hipótese é que essa seqüência cognitiva concebe e dispensa tratamento sociológico à problemática dos nexos de sentido entre violência e ordem social pessoalizada no Brasil levando em conta, no plano teórico-metodológico, a articulação de três princípios básicos de coordenação social – solidariedade social, autoridade pública e interesses materiais. Ainda que tais dimensões recebam ênfases e intensidades diferentes de um trabalho para outro, os autores convergem ao atribuir primazia explicativa ao homo sociologicus, isto é, ao inscreverem prioritariamente a violência na dimensão da solidariedade.
Assim, a contrapelo do sentido hegemônico assumido pelas ciências sociais no Brasil, cuja especialização tendeu a separar estas três dimensões em disciplinas autônomas e com pouco
contato entre si, recuperar essa seqüência intelectual apresenta valor heurístico, também por permitir reintroduzir uma perspectiva de totalidade do processo social na análise da violência que possibilite dar conta da complexidade do objeto em suas diferenciações internas.