Banca examinadora

Gláucia Kruse Villas Bôas
Regina Lúcia de Moraes Morel
Yvonne Maggie Costa Ribeiro
Lúcia Lippi Oliveira
Marcos Chor Maio
Marco Antonio Gonçalves

Resumo

A tese discute a formação do campo das ciências sociais na cidade do Rio de Janeiro, apoiando-se na teoria simmeliana acerca dos “círculos sociais”. A autora contempla as trajetórias pioneiras de duas mulheres, Heloísa Alberto Torres (1895-1977) e Marina São Paulo de Vasconcellos (1912-1973) que contribuíram de forma ímpar para a “rotinização” e a “normatização” das atividades deste campo científico. Que mulheres, na realidade, portavam os atributos necessários para o desempenho de funções públicas num mundo intelectual marcadamente masculino? Esta é uma das perguntas da tese. A análise do ingresso de Heloísa e Marina no “mundo das ciências sociais” tem como pretensão ampliar os aspectos segundo os quais a história deste campo de saber pode ser contada no Brasil. Heloísa fez da antropologia um instrumento de luta em defesa da cultura brasileira, tomando parte, criando e recriando diversos círculos intelectuais no museu Nacional, no Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil, no Conselho Nacional de Proteção ao Índio, no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Marica ocupou, durante 16 (dezesseis) anos – tornando-se, depois da Reforma Universitária, professora titular – a cátedra de Antropologia e Etnografia da FAculdade Nacional de Filosofia, Universidade do Brasil, e vivenciou os primeiros esforços de formulação e manutenção da Universidade em nosso pais. A multiplicidade das “redes de interações” de Heloísa e Marina, suas alianças e confrontos, permite observar como os papéis sociais assumidos pélas personagens foram incessantemente redefinidos e como, nesse sentido, a própria sociedade deve ser entendida como uma “teia de acontecimentos”, isto é, em seu dinamismo, em suas relações mínimas entre os indivíduos, cuja repetição contínua fundamenta as grandes formações objetivas que acabam por apresentar uma história própria.

ABSTRACT

This dissertation discusses the formation of the field of social sciences in the city of Rio de Janeiro, framing itself upon the Simmelian theory about the “social circles”. The author dwells upon the pioneering paths of two women, Heloísa Alberto Torres (1895-1977) and Marina São Paulo Vasconcellos (1912-1973), who contributed singularly to the routinization and standardization of the activities in this scientific field. What women actually, bore the necessary attributes for the performing of public affairs in an exceedingly male-orientend intellectual world? This is one of the questions put forth by the dissertation. The analysis of Heloísa’s and Marina’s entry into the “world of social sciences” has as its aim to enlarge the aspects according to which the history in this field of knowledge can be hold in Brazil. Heloísa made anthropology into a stalwart ready to defend Brazilian culture, taking part in, creating and re-creating several intellectual circles at the Museu Nacional (National Museum), the Conselho de Fiscalização das Expedições Artísticas e Científicas no Brasil (Council for the Fiscalization of Artistic and Scientific Expeditions in Brazil), the Conselho Nacional de Proteção ao Índio (Council for the Protection of Indians), the Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (National Service for the Artistic and Historical Heritage). Marina – to become chief professor after the University Reform – was for sixteen years chairwoman of Anthropology and Ethnography at the Faculdade Nacional de Filosofia, Universidade do Brasil (National College of Philosophy, The University of Brazil). and she was part of the first efforts for the designing and maintenance of the University in our country. The multiplicity of Heloísa’s and Marina’s “webs of interaction”, their alliances and confrontations, allows us to witness how the social roles played by the characters in question have been incessantly redefined and how, in this way, society itself must be understood as a “web of happenings”, that is to say, in its dynamism, in its minimal relations among individuals, the continuous repetition of which paves the way for great objective formations which end up by depicting their own history.