Letícia Rangel Tura


Banca examinadora

Regina Reyes Novaes
Gian Mario Giuliani
Leonilde Sérvolo Medeiros

Resumo

Nesta dissertação estudou-se um ciclo de mobilizações de trabalhadores rurais no Pará, denominado Grito do Campo, apreendendo seus efeitos políticos e suas repercussões sobre o movimento sindical. Nestas mobilizações a luta por um “modelo alternativo de desenvolvimento com base na agricultura familiar” tornou-se um espaço de articulação do sindicalismo. As políticas públicas de desenvolvimento na Amazônia tradicionalmente estiveram voltadas para os grandes empreendimentos. No final dos anos 80 uma conjugação de fatores – como a instituição dos ?Fundos Constitucionais de Financiamento, pela Constituição de 88 – apresentou possibilidades para mudanças dessa ordem. Através de observação participante, entrevista, documentos e da análise das pautas de reivindicação, apreendeu-se o fazer-se dos Gritos. Neste processo os pequenos produtores rurais da região –   sempre pensados como “pobres do campo” – se fizeram reconhecer enquanto geradores de riquezas. Explorando um aspecto da legislação vigente acrescentaram novas formas e conteúdos às lutas do campo pela cidadania

ABSTRACT

This work has a focus on the cycle of mobilization of the rural workers in Pará, known as Gritos do Campo. It intends to apprehend its political effects and the repercussion over the labor union movement. In these mobilizations, the struggle for an “alternative model of development based on family agriculture” became a space of articulation of the unionism. The state policies for the development of the Amazon Region have traditionally been based on huge projects. By the late 80’s a cojugation of several factors – as the establishment of the Fundos Constitucionais de Financiamento by the Constituição de 1988 – made the trasnfomation of this order possible. The apprehension of the making of the Gritos do Campo resulted from the field work, in which observation, interviews, gathering of documents and the analyses of the guidelines of their demands. The family agriculture producer of that area – usually considered the “poor of the fields” – made themselves recognized as wealthy generatores. Exploring aspects of the standing legislation they added new forms and contents to the struggles for citizenship.