Banca Examinadora

Prof. Emerson Giumbelli
Profa. Adriana Facina Gurgel do Amaral
Prof. Euler David de Siqueira
Prof. Alexandre Brasil Cunha Fonseca

 

Resumo

Esta tese versa sobre as particularidades da “sociabilidade” (Simmel) e da ” subjetivação” (Foucault) em uma associação ” esotérica” surgida durante a década de 1920 na cidade de Niterói/RJ. Associação esta já utilizou três denominações distintas: Sociedade Dhâraâ, Sociedade Teosófica Brasileira e atualmente Sociedade Brasileira de Eubiose.Para compreender esta associação procuro situa-la naquela categoria definida por alguns estudiosos (Faivre: Hanegraaf) como ” esoterismo ocidental moderno” e percebê-la como uma variante dos movimentos “esotéricos”, “ocultistas” e ” espiritualistas” europeus do século XIX. O elemento condutor desta tese é a noção nativa de “iniciação” , e é principalmente através dela que busco perceber a visão de mundo, as representações da associação a respeito do ser humano e as maneiras como alguns ” iniciados” atualizam (ou não) essas idéias em suas próprias vidas.

Num primeiro momento desta pesquisa utilizo uma revista editada pela associação desde a sua origem (1924) – ” Revista Dhâranâ” – procurando identificar as principais características distintivas dos três tempos de associação (“Dhâranâ, ” Teosófica” e “Eubiose”). Em seguida, situo a pesquisa num grupo específico da associação – o Departamento da SBE em Niterói – ressaltando algumas de suas singularidades sobre a “iniciação”. Num terceiro momento observo como alguns indivíduos deste grupo se apropriam desta ” iniciação”, incorporando-a em seus cotidianos.

O termo “iniciação é aqui compreendido enquanto conjunto de práticas destinadas a introduzir certos candidatos em grupos fechados, tais como confrarias, sociedades secretas ou de mistérios, etc. Neste sentido, essas “práticas iniciáticas” visam assegurar ou tornar solene o recrutamento de alguns poucos indivíduos que se percebem enquanto uma ” elite espiritual” e que são postos à prova – pelo próprio grupo – em sua habilidade para lidar com um determinado ” saber esotérico” , assim como em sua fidelidade ao grupo.
Finalmente, considerando o ” esoterismo” enquanto um fenômeno característico da cultura ocidental contemporânea, procuro estabelecer algumas relações entre as noções nativas de “iniciação” e ” espiritualidade” , contrapondo-se à noção de ” religião”.