Neste trabalho analiso os valores e as estratégias das elites frente à pobreza e à desigualdade nos últimos trinta anos no Brasil e no Uruguai. Exponho os papéispercebidos pela elite em relação a ela mesma, ao Estado e ao mercado em função das mazelas sociais e dilemas políticos trazidos pela pobreza e pela desigualdade. Para tal, lanço mão de uma análise histórico-comparativa, substanciada por dados amostrais nacionais sobre percepções de elites. Busquei, a partir do uso de surveys, identificar as especificidades culturais das elites de cada um dos dois países, mas com a precaução de não essencialisar a cultura de cada um deles e perder de vista a influência do contexto histórico. Argumento que, embora Brasil e Uruguai sejam muitas vezes tratados na literatura como opostos, existe um forte paralelismo entre esses casos na experiência recente das elites com os pobres no contexto de consolidação da democracia. A herança histórica do Estado empresário, ou desenvolvimentista, e os desafios sociais impostos pela desigualdade levaram as elites a propor medidas similares, embora muitas vezes partindo de premissas culturais diferentes.

 

Banca examinadora:
Profa. Elisa Reis, Presidente
Profa. Graziella Moraes Silva
Profa. Maria Helena de M. Castro