Este trabalho tem por objeto a categoria de “Esquadrão da Morte” e sua evolução no Rio de Janeiro, do ano de 1957 até 1987. A primeira parte consiste de uma pesquisa exploratória sobre os principais referentes da categoria e as suas mudanças semânticas. A segunda parte trata de seu contexto de emergência e a terceira aborda o evento que a fixou como representação coletiva. Findo, na quarta parte, com uma conclusão geral síntese dos resutados. Há, ainda, um breve epílogo no qual esboço algumas questões que persigo ao longo do estudo. O argumento principal é o de que a categoria de “Esquadrão da Morte” foi fixada enquanto representação coletiva da violência urbana pela imprensa carioca, mais especificamente pelo jornal Última Hora. Ela será primeiro utilizada na década 1950 para transformar em “violência” algo que é criado como “contra-violência”, ou seja, como reação à negatividade do tipo social “marginal”. No devir da segunda metade do século XX, a categoria restitui a qualidade de “contra-violência” aos seus referentes. Em meados da década de 1980 ela se metamorfoseia em “grupos de extermínio” por meio da atuação de agências de problematização social ou de movimentos sociais envolvidos com a “questão do menor”. Já nos anos 2000, por motivos ainda a investigar, os “grupos de extermínio” passam a ser chamados de “milícias”. Em suma, a mesma linha costura na história as representações coletivas de “Esquadrão da Morte”, “grupos de extermínio” e “milícias”. Sucedem-se no tempo. Uma é a metamorfose da outra. Conclui-se que por detrás de toda a evolução da categoria estão três fenômenos analiticamente separáveis: a) consolidação e metamorfose de uma modalidade de construção social de tipos sociais da ordem social no Rio de Janeiro; b) expansão dos mercados ilegais; c) agências de redefinição valorativa do que é “violência” e “contra-violência”.

 

Banca examinadora:
Profa. Joana Vargas, Presidente
Prof. Michel Misse
Profa. Márcia Leite