Resumo

A tese trata de diferentes condições de existência e de processos de socialização de crianças de um grupo de ex-colonos da cafeicultura do norte fluminense, atualmente beneficiários de um assentamento rural em Trajano de Moraes, Rio de Janeiro. Após retraçar os modos de funcionamento de uma antiga fazenda de café, a decadência da grande lavoura e a implantação da bananicultura como cultivo comercial dos ex-colonos, o trabalho examina os fundamentos sociais dos conflitos fundiários que resultaram na desapropriação de parte do imóvel e na instalação definitiva dos ex-colonos como assentados. A parte central da tese, porém, está voltada para o exame das representações sobre a infância durante a vigência do colonato, com base em análise de histórias de vida e entrevistas abertas, e o seu confronto com as práticas educativas atuais observadas e os discursos produzidos a seu respeito. As transformações sociais que atingiram fazendeiros e colonos se manifestam também através de mudanças na transmissão do patrimônio cultural do grupo e em significados diferenciados da própria noção de infância, como momento particular do ciclo de vida. A tese pretende demonstrar, por um lado, o processo de abertura e expansão dos horizontes sociais do grupo, e, por outro lado, a variação dos significados da infância correspondente às diferentes condições vividas pelas crianças e suas famílias nesse processo.