Banca examinadora

Profa. Glaucia Villas Boas,IFCS/UFRJ;
Prof. Bruno Carvalho, IFCS/UFRJ;
Prof. Carlos Antonio Costa Ribeiro, IUPERJ;
Prof. João Marcelo Ehlert Maia, PUC/RJ.

Resumo

A partir de uma pesquisa com textos opinativos publicados na grande imprensa nacional, a presente dissertação propôs analisar as tomadas de posição dos cientistas sociais a respeito da implantação de cotas para estudantes negros em algumas universidades nacionais. Como é notório, a difusão das cotas raciais dividiu as opiniões de inúmeros cientistas sociais brasileiros, dissensão esta que transbordou as esferas estritamente acadêmicas para a esfera pública como um todo. Nosso principal objetivo foi dar visibilidade à pluralidade de opiniões envolvidas na controvérsia para, numa segunda etapa, identificar linhas argumentativas compartilhadas. Como ponto de partida, optou-se por investigar a validade de duas interpretações sobre a controvérsia bastante difundidas: a que considera a polêmica como momento de colisão entre dois ideais de justiça antagônicos, e outra que vê a polêmica como uma atualização na esfera publica de “imagens” diferentes da realidade racial brasileira. Ao termo, propõe-se que as discordâncias detectadas não são baseadas em fundamentos ideológicos inconciliáveis. Ao contrário, a maior parte dos atores envolvidos acionou objetivos e utopias comuns. As cisões parecem remeter muito mais as posturas distintas dos cientistas sociais frente a uma realidade paradoxal que, por isso mesmo, demanda soluções ao mesmo tempo ousadas e cautelosas.

Palavras-chave: ações afirmativas; políticas de cotas raciais; ciências sociais; intelectuais; controvérsia pública.