Banca examinadora

Profa. Neide Esterci, Presidente,
Profa. Mariana Ciavatta Pantoja Franco,
Prof. Fernando Rabossi
Profa. Eliane Cantarino O´Dwyer

Resumo

Em grande parte do sudoeste amazônico, no contexto do descenso econômico da borracha, observou-se um esvaziamento dos seringais, especialmente dos centros, com a migração dos moradores para a margem ou para as cidades. Entretanto, no seringal Porongaba no Médio Iaco, leste do Acre, área que faz parte de uma proposta de criação de uma Reserva Extrativista, praticamente todos os grupos domésticos residem no centro. Enfocando a análise dos circuitos de troca (intercâmbio mercantil) e de reciprocidade, relacionadas ao agroextrativismo, entre os grupos domésticos do seringal Porongaba a pesquisa busca compreender as motivações que levam os moradores a permanecerem no seringal. A vida no centro e na margem são conectadas por diversos planos sociais, assim como a vida no seringal e na rua, demonstrando que existem outras delimitações sociais além daquela que estabelece o Porongaba enquanto propriedade privada. O quebrar castanha é a principal atividade em termos de geração de recursos financeiros, enquanto a criação de gado funciona como importante forma de patrimônio e de herança intergeracional. Inserido numa matriz de bens-significados própria do seringal o criar gado proporciona aos grupos domésticos uma certa autonomia política e econômica. O extrativismo de castanha, de borracha, a agricultura e a criação de animais estabelecem circuitos de troca e de reciprocidade que (re)criam laços entre os grupos domésticos, especialmente o dar – receber – retribuir dádivas. A caça de animais da mata também engendra relações de reciprocidade (vizinhança), atualizando vínculos entre os grupos domésticos. Nesses circuitos, ganham relevo as relações estabelecidas entre grupos domésticos aparentados, especialmente aquelas marcadas pela reciprocidade. Se o parentesco (marcadamente performativo) é, por um lado, a principal base sobre a qual os mecanismos de reciprocidade são estabelecidos, por outro lado, estes mecanismos (re)criam os laços de parentesco, viabilizando a vida entre a margem e o centro.

Palavras-chave: Antropologia Rural; Amazônia; seringal; dádivas; reciprocidade; troca.