Resumo

A presente dissertação tem como objetivo discutir a ação estatal. Para tanto, o ponto de partida desta análise é o conflito estabelecido em torno do processo de remoção experimentado, a partir de 2011, por um grupo de moradores do Morro da Providência, localizado na região central da cidade do Rio de Janeiro. Esse processo está vinculado à implementação de uma série de políticas públicas direcionadas a esse território, onde a remoção se configura como uma dessas frentes de intervenção. Há uma sobreposição de projetos que procuram promover a inclusão social através da mediação urbanística, porém, a forma como estes se complementam e se integram, se constitui um grande desafio, uma vez que a articulação entre eles não é claramente apresentada. A complexidade dos arranjos e as configurações necessárias para a operacionalização de tais projetos é colocada em foco. Aqui, as práticas estatais de remover e realocar pessoas não só configura um intenso campo de tensões envolvendo e afetando moradores em termos materiais e simbólicos, como produz evidências de uma série de ambivalências e contradições estabelecidas dentro e fora da estrutura estatal, gerando efeitos que não são apenas circunscritos à realidade situada do Morro da Providência, mas que parecem traduzir os mecanismos de construção e produção de nossas cidades.

Banca examinadora: Prof. Fernando Rabossi, Presidente

Prof. Bruno Cardoso

Profa. Mariana Cavalcanti