Carla Rocha Pereira

Banca examinadora

Luiz Antonio Machado
Márcia Leite

Resumo

Este trabalho discute a relação de devoção e identidade perante um grupo de migrantes maranhenses que se estabeleceram na cidade do Rio de Janeiro, em torno das décadas de 50 e 60, trazendo consigo a fé no Divino Espírito Santo. Festa do catolicismo popular em que se comemora a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo faz parte do calendário dos principais terreiros de mina de São Luís, religião de origem africana onde se cultua voduns, encantados, caboclos e orixás. O grupo pesquisado deu início à festa do Divino no bairro de Bonsucesso, Zona Norte da cidade, na comunidade Parque União, no terreiro de mina comandado por Manoel Colaço, em 1967, quando começaram a classificarem-se como Colônia Maranhense no Rio de Janeiro. Além da migração de suas referências culturais, um dos objetivos desta pesquisa é ressaltar os deslocamentos ocorridos durante os 38 anos de celebração, no qual o culto do Divino passou por diversos espaços até se estabelecer, na década de 90, no Clube da Associação dos Servidores Civis da Aeronáutica (ASCAER), no bairro da Ilha do Governador. Os não maranhenses se tornaram também importantes no decorrer dos anos, participando efetivamente da organização festiva. Descrever passo a passo todas as etapas rituais do Divino no clube, distinguindo-se daquelas nos terreiros, -pois isso é primordial para a compreensão do objeto da pesquisa e o que diferencia a festa da Ilha do Governador das demais realizadas por maranhenses no Rio de Janeiro. A estrutura montada por esses maranhenses é um dos pontos abordado, como o trabalho de homens e mulheres para que o Divino seja celebrado no espaço do clube. O papel das caixeiras, mulheres que detêm o saber do ritual, entoam cantigas e durante o andamento festivo tocam a caixa, instrumento de percussão, é destacado, uma vez que são preciosas personagens neste contexto, mas não são as únicas a fazerem parte desta devoção, na qual um Império é representado por crianças que possuem cargos de Imperadores e Mordomos. A festa do Divino utilizada como identidade maranhense longe de sua terra Natal é o eixo central do presente trabalho e pelo qual perpassa toda a construção do texto.