Banca examinadora

Prof. José Ricardo Ramalho, Presidente
Profa. Maria Ligia Barbosa
Profa. Rosângela Nair de Carvalho Barbosa

Resumo

A reestruturação do sistema bancário brasileiro, iniciada nos anos 1990, além de acarretar significativas mudanças nas estratégias de atuação dos bancos, representou a necessidade de adequação dos trabalhadores às novas exigências do trabalho bancário e ao seu novo padrão de flexibilidade. No caso do setor bancário estatal, observa-se uma trajetória de mudanças nas relações de trabalho se estendendo por todo o período do processo de reestruturação. Inicialmente, uma das principais características  do processo de terceirização no setor bancário como um todo, acarretando, junto a outros fatores, o avanço do desemprego e precarização. No setor estatal, a terceirização não se restringiu às atividade periféricas do trabalho bancário, atingindo suas atividades-fim, flexibilizando e, conseqüentemente, precarizando as relações de trabalho. A partir da primeira metade dos anos  2000, observa-se uma nova etapa na trajetória de mudanças nas relações de trabalho . Contrariando o paradigma da terceirização, A Caixa Econômica Federal inicia um processo inusitado de reversão daquela que seria uma das principais características da reestruturação do setor, substituindo os trabalhadores terceirizados por funcionários contratados através de concurso público nas atividades bancárias. A “desterceirização”, no entanto, não significou o retorno ao antigo modelo das relações de trabalho no setor, ao contrário, resultou no novo padrão de flexibilidade, intensificando o trabalho e desencadeando um conflito entre diferentes gerações de trabalhadores. Essas contradições, no final das contas, se ajustam para aperfeiçoar o novo padrão e impor novas relações de trabalho com a forte marca da intensificação do trabalho e fragilização do trabalhador.

Palavras-chave: desterceirização, flexibilidade, gerações de trabalhadores, sistema bancário, terceirização.