Banca Examinadora

Prof. Marco Aurélio Santana, Presidente
Profa. Elina Pessanha
Prof. Paulo Roberto Ribeiro Fontes


Resumo

Esta pesquisa tem por objetivo analisar as representações dos trabalhadores sobre asmudanças nas relações de trabalho e emprego na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) a partir da expansão da terceirização de suas atividades e funções. Através de entrevistas realizadas com sindicalistas, trabalhadores e ex-trabalhadores, buscamos compreender a maneira como os funcionários da CSN e das firmas terceirizadas entendem a sua condição e a de seu grupo em relação à condição de outros trabalhadores e grupos dentro da indústria. A maneira como os empregados da CSN e os empregados terceirizados concebem sua condição e seu papel dentro da produção, em comparação com os papéis de outros empregados, contribui para o forjamento de múltiplas identidades dentro da categoria. A visão segregada dos perfis desses trabalhadores da usina colabora para a construção de identidades políticas fragmentadas. Para além das diferenças entre terceirizados e trabalhadores da CSN, buscamos também compreender as aproximações entre os estatutos desses dois tipos de empregados apontadas pelos entrevistados, e as expectativas em torno da CSN e das firmas terceirizadas enquanto contratantes. A definição de “atividade meio” em 1993 possibilitou a expansão da prática da terceirização de efetivos permanentes pelo interior das indústrias e do processo de produção. O trabalhador terceirizado permanente inaugura uma nova situação dentro da fábrica: não é trabalhador do quadro direto, embora desempenhe suas atividades cotidianamente no interior da contratante; e, por outro lado, não é o trabalhador terceirizado temporário, pois seu contrato de trabalho é por prazo indeterminado, embora o contrato entre as prestadoras de serviços e a CSN seja por prazo determinado. Portanto, o trabalhador terceirizado permanente está sujeito a uma multiplicidade de referências. A terceirização de atividades anteriormente consideradas “estratégicas” às empresas abriu um precedente para a complexificação das relações entre os trabalhadores motivando aproximações e diferenciações que implicaram em novas formas de organizar e conceber os grupos e coletivos dentro da usina. Além das diferenças objetivas – de salários e direitos – a terceirização estabeleceu uma cisão subjetiva na consideração de trabalhadores terceirizados e trabalhadores da CSN, a qual tem implicações no forjamento de sua identidade tanto no mundo trabalho, como enquanto cidadão de Volta Redonda.