Banca examinadora

José Reginaldo Gonçalves
Marco Antonio Gonçalves
Valter Sinder

Resumo

O objeto deste estudo é o conjunto de representações produzidas sobre o gênero musical classificado como “rock”, tal como veio a ser difundido no Brasil na década de 1980; mais precisamente, as identidades e fronteiras simbólicas expressas nos discursos de músicos, críticos, aficionados e demais pessoas ligadas ao meio. O trabalho mostra como os discursos nativos caracterizam o surgimento de uma “nova geração” no Brasil, cuja visibilidade é atribuída principalmente ao rock. Esses discursos são construídos com base em uma pretensa solidariedade interna – na afirmação de uma idéia nativa de “cena roqueira”, de laços comunitários estreitos – e por demarcações simbólicas de alteridade com o que associavam a outras gerações, entre elas, a importância conferida a linguagem adotada – inspirada em bandas estrangeira e escorada em uma “simplicidade”estética e comportamental -, que opõem ao que associavam à “música popular brasileira” (MPB), um construto de importância central na dissertação. Os discursos nativos problematizam os rumos do “rock nacional” a partir do momento em que este gênero ocupa a posição central na industria do disco e na mídia brasileira. Analisam-se as diversas categorias acusatórias que são empregadas e rebatidas entre eles nesse momento – relacionadas, de uma maneira ou de outra, a questões como perda de “espontaneidade”, o que remete no contexto nativo à categoria “atitude”e, mais genericamente, a discussões sobre “autenticidade”. Argumenta-se que a aproximação simbólica de muitos roqueiros com a MPB é fundamental para a problematização da idéia nativa de “cena roqueira”.