Banca examinadora

José Reginaldo Santos Gonçalves
Maria Laura Cavalcanti
Válter Sinder
Márcia Contins


Resumo

A partir do anos 80, passou a ser amplamente divulgada a proposta de um ” novo circo” que no Brasil tem, no Grande Circo Popular do Brasil (Marcos Frota Circo Show), o seu melhor exemplo. Mesclando elementos de tradição e modernidade, esse Circo tem se destacado no cenário cultural brasileiro por sua participação em eventos de projeção nacional. Mas, não é sem conflitos que essa proposta tem se desenvolvido recebendo críticas de outros circos, escolas de circo e de muitos circenses tradicionais. Quando se penetra nesse mundo, torna-se visível que parte desses conflitos são de natureza estrutural.. Sem desprezar as mudanças histórico-culturais das últimas décadas, muito desse conflito explica em razão do estilo de vida nômade do circo. Nesse sentido, as viagens adquirem um significado especial na estrutura, funcionamento e organização social do circo. É por meio delas que o circense se coloca em constate estado de tensão, sendo, de um lado, alvo de admiração e preconceitos, ao mesmo tempo que, do outro, lhe exigido um processo constante de “metamorfose” social. Afinal, a viagem se realiza por duplo movimento horizontal e vertical, significando isso um duplo movimento de corpo circense. A mudança de uma cidade para outra, implica também em uma transformação de sua identidade. A viagem é que faz a mediação entre os bastidores e o espetáculo. Assim, a compreensão da organização social do circo o que é dramatizado nos bastidores torna-se tão importante quanto o que é performatizado no espetáculo. Daí, a categoria “fazer” adquirir uma importância performática na produção do circo. O circense falas em “fazer a praça”, ” fazer o pano”, ” fazer amizades” , ” fazer carreira”‘, ” fazer o nome”, “fazer o número”, “fazer o corpo”. Enfim, o circo é um desses fenômenos sociais totais que se faz cotidianamente na medida em que está em constante viagem. É isso que faz do circo um ” mundo mágico” que tem na viagem e no corpo os operadores principais de sua eficácia simbólica.