Vittorio da Gamma Talone

Resumo:

Nesta dissertação, apoiado em uma abordagem pragmatista, em que se pode analisar as ações sociais dos indivíduos observando os efeitos produzidos pelas mesmas, proponho a desconfiança como uma gramática que comporta diversos dispositivos mobilizados pelas pessoas em relação ao que constroem como perigos e riscos na cidade do Rio de Janeiro. Por meio de um trabalho de campo em três distintas linhas de ônibus que oferecem serviço a diferentes áreas, 332 (Castelo-Taquara), 474 (Jacaré-Jardim de Alah) e 498 (Penha Circular-Cosme Velho), sugiro um entendimento, constituído pelas representações dos atores, da cidade pelo conceito de distopia realizada: uma metafísica moral que orienta as ações daqueles que se deslocam pelas ruas. Trata-se de um quadro referencial formado por elementos identificáveis pelas pessoas em suas rotinas para os quais mobilizam práticas de desconfiança, como a evitação e o afastamento. Essas se dão na tentativa de proteção à integridade física e patrimonial, percebidas como ameaçadas por diferentes elementos representados socialmente como “violência urbana”. Os dispositivos de desconfiança são, dessa forma, suportes para ações temerosas, permitindo a continuidade da rotina de uma forma própria.

Palavras-chave:

confiança, desconfiança, ônibus, violência urbana, pragmatismo

 Abstract:

In this dissertation, supported by a pragmatistc approach, in which one can analyze the social actions of individuals observing the effects produced by those, I propose distrust as a grammar comprising multiple devices mobilized by people towards what they build as dangers and risks at the city of Rio de Janeiro. Through a field work in three different bus lines that provide service to different areas, 332 (Castelo-Taquara), 474 (Jacaré-Jardim de Alah) and 498 (Penha Circular-Cosme Velho), I suggest an understanding, constituted by the representations of the actors, of the city by the concept of realized dystopia: a moral metaphysics that guides the actions of those moving through the streets. It’s a referencial framework formed by identifiable elements that people observe in their routines for which distrust practices, such as avoidance and withdrawing, are mobilized. These take place in an attempt to protect the physical and property integrity, perceived as threatened by different elements socially represented as “urban violence”. Distrust devices are, thereby, supports for fearful actions, allowing the continuity of the routine in a specific way.

Keywords:

trust, distrust, autobus, urban violence, pragmatism

Orientador: ALEXANDRE VIEIRA WERNECK