Cristina Lucy Câmara da Silva

Banca examinadora

Paola Cappellin
Elina Gonçalves da Fonte Pessanha
Elizabeth Moreira dos Santos
Regina Lúcia de Moraes Morel
Regina Reyes Novaes

Resumo

Tendo como objetivo geral refletir sobre as formas de cooperação geradas com o surgimento da pandemia da aids, procurei a configuração dos grupos organizados na luta contra a aids no Brasil e no Canadá, partindo dos casos do Rio de Janeiro e do Quebec; observar como os preconceitos interferem nas relações sociais e podem se manifestar de maneiras diferentes; identificar como se entrecruzam ativismo, ajuda mútua e assistência nos grupos que organizam o cenário de luta contra a pandemia, e, caracterizar o movimento social de luta contra a aids no Brasil, apresentando também um contraponto com o cenário canadense. A referência ao Quebec assinala pontos relevantes qu4 contribuem significativamente para o estranhamento do caso do Rio de Janeiro, à medida que a pandemia, entendida como uma questão social, caracteriza um contexto internacional, rompe fronteiras e se concretiza, em cada lugar, como uma conjunção entre o local e o global.
Duas questões perpassam toda a pesquisa:
Quais são as diversas concepções sobre a aids que orientam a criação dos grupos organizados para responder à pandemia?
Ao criarem formas de atuação política e proporcionarem cuidados diretos às pessoas soropositivas ou com aids, esses grupos podem juntos enriquecer a concepção de cidadania social?
Suponho que eles inovam ao transitar entre os modelos de movimentos sociais, ONGs e grupos de ajuda mútua.

ABSTRACT

By establishing the general goal of reflecting upon cooperation forms generated by the AIDS pandemic, I have tried to: 1) Rebuild the configuration of the groups organized in the struggle against AIDS in Brazil and Canada, focusing on the cases of Rio de Janeiro and Quebec; 2) Observe how prejudices interfere in the social relations and how it can manifest in different ways; 3) Identify how activism, mutual-help, and care are connected with each oother among the groups that organize the scenario of the struggle against the pandemic and 4) Characterize the social movement of the fight against AIDS in Brasil, contrasting it with the Canadian scenario. The reference to Quebec highlights relevant issues that contribute substantially to provide an outsider’s perspective of the Rio de Janeiro case, since the AIDS pandemic, understood as a social issue, characterizes an international context, crosses frontiers, and becomes real, in each setting, as a conjunction between the local and the global.
Two questions are present throughout the research:
What are the diverse conceptions about AIDS that orient the creation of organized groups in response to the pandemic?
By creating forms of political action and providing direct care to seropositive people or people with AIDS, can these groups altogether enrich the concept of social citizenship?
I assume that these groups innovate by shifting between the models of social movements, NGOs, and mutual-help groups.