Katia Helena Serafina Cruz Schweickardt

Banca examinadora

Profa. Elina Pessanha
Profa. Glaucia Oliveira da Silva
Prof. José Adelmir de Oliveira
Prof. John Comerford

Resumo

Esta tese visa discutir a relação entre populações tradicionais e o Estado na Amazônia, por meio da etnografia dos processos que envolveram a produção de territórios no Estado do Amazonas a partir de critérios ambientais e ecológicos. Nos anos de 1970 e 1980, as intervenções do Estado negavam sistematicamente as formas de apropriação do espaço adotadas pelas coletividades camponesas locais e tratavam de tirá-los das áreas ocupadas em benefício das grandes empresas, através da política de assentá-los em lotes familiares. Novos movimentos sociais emergiram na Amazônia propondo seu modo de vida como critério fundamental nos processos de territorialização. A partir dos anos de 1990, as preocupações ecológicas se difundiram na sociedade e passaram a fazer parte da pauta das agências governamentais; estes novos movimentos sociais se aliaram aos ambientalistas e se fortaleceram politicamente. Os projetos de desenvolvimento sustentável passaram a disputar espaço com os projetos desenvolvimentistas e a ressignificar o papel do Estado na região. Através da análise do processo de criação e de implantação de duas Unidades de Conservação de Uso Sustentável, numa área habitada por pequenos produtores tradicionais, no curso médio do Rio Juruá, no estado do Amazonas, pretende-se compreender como, e em que medida, essas mudanças de conjuntura dos últimos anos alteraram os termos da relação das agências governamentais de Reforma Agrária e Meio Ambiente com os pequenos produtores locais.