Heloísa Helena de Oliveira Santos

Banca examinadora

Profa. Mirian Goldenberg (Presidente)
Prof. André Botelho
Profa. Glaucia Villas Bôas
Prof. Bernardo Jablonski

Resumo

Esta dissertação busca compreender, por meio da análise de romances, como as relações íntimas amorosas foram codificadas na sociedade brasileira do século XIX. Partindo das sugestões de Niklas Luhmann sobre o papel da literatura na formação da intimidade, analiso três romances brasileiros do século XIX: A Moreninha (1844) de Joaquim Manuel de Macedo, Senhora (1875) de José de Alencar e Dom Casmurro (1899) de Machado de Assis, buscando mapear as concepções e comportamentos associados ao amor e às relações afetivas entre homens e mulheres. A partir deste levantamento, comparo os dados destas três narrativas com as teorizações sobre amor, romantismo e sociedade brasileira do século XIX, dando ênfase às possíveis tensões entre os ideais de amor romantizado discriminados pelos romances e a organização social familista que caracteriza o Brasil do período. Compreende-se que estes romances estão sugerindo, através das histórias das protagonistas, novas formas de relacionamentos onde o amor é a base da relação. No entanto, estes romances não conseguem responder às demandas de ma sociedade que permanece predominantemente familista e que ainda exige os direitos do proprietário sobre os seus dependentes. Assim, as relações afetivas fundamentadas no amor apenas se sustentam quando a família é afastada do casal. Quando esta família está presente, contudo, o amor é manipulado pelo chefe patriarcalista e sucumbe diante da vontade e do arbítrio do mesmo. Deste modo, até o século XIX, é possível afirmar que o amor não pode se sustentar como fundamento das relações amorosas entre homens e mulheres na sociedade brasileira.

Palavras-Chave: Amor, sociedade brasileira oitocentista, relações íntimas, literatura, pensamento social brasileiro.