Luisa Helena de Godoy Springer Pitanga

Resumo:

O objetivo dessa dissertação é produzir uma autoetnografia andarilha, nos termos das “enunciações pedestres” de Michel de Certeau que entende os percursos do pedestre na cidade como relatos de suas táticas para lidar com as tentativas de fixação e coerção do sistema. Os percursos de uma cientista social em uma nova inserção profissional que surge de processos de ambientalização: a consultoria para licenciamento ambiental de grandes empreendimentos energéticos. Ao longo da narrativa, construo diferentes pessoas-personagens como: a estudante de iniciação científica que acompanhou a transição tecnológica do analógico ao digital; a consultora que se divide entre a empresária e a técnica; a educadora audiovisual e a cientista social-documentarista ao etnografar situações pessoais vividas ao longo da formação universitária, em pesquisas de campo para estudos de impacto ambiental e em oficinas participativas de educação ambiental. Essas vivências carregam uma especificidade: o uso do audiovisual como instrumento de pesquisa e de participação social. Nesses percursos etnobiográficos, o audiovisual é entendido como tática e os filmes como portadores de agência e intencionalidades dos sujeitos do licenciamento ambiental: empreendedores, técnicos do IBAMA, consultores ambientais e grupos impactados.

Palavras-chave:

Licenciamento ambiental; consultoria; antropologia audiovisual; educação audiovisual popular; participação; desenvolvimento

Abstract:

The aim of this dissertation is to produce a wanderer autoetnography, in relation to the “pedestrian enunciations” by Michel de Certeau, who understands the pedestrian’s routes in the city as reports of their tactics to deal with the attempts of settlement and coercion of the system. The routes of a social scientist in a new professional environment that originates from environmentalization processes: the consultancy for the environmental licensing of major energy enterprises. Along the narrative, I develop different people-characters such as: the undergraduate student who followed the technological transition from analog to digital; the consultant who divides herself into entrepreneur and technician; the audiovisual educator and the social scientist-documentarian. I also develop an ethnography of personal situations lived along my academic formation, in field research for environmental impact studies and in participatory workshops for environmental education. These experiences bear specificity: the use of the audiovisual as an instrument of research and social participation. In these ethnobiographical routes, the audiovisual is understood as tactic and the films as carriers of agency and intentionalities of the subjects of the environmental licensing: entrepreneurs, IBAMA technicians, environmental consultants and impacted groups.

Keywords:

social-environmental conflict; resistance; identity;

Orientador:

NEIDE ESTERCI