Esta dissertação é um estudo sobre sistemas de classificação no ambiente escolar. O objetivo principal é descrever e analisar o cotidiano de uma escola pública carioca buscando perceber o processo de construção dos princípios classificatórios, as formas de organização e distribuição do poder interno, e, o ethos escolar. O trabalho de campo foi realizado em uma unidade escolar da rede estadual de ensino médio em um bairro da zona sul da cidade do Rio de Janeiro entre agosto de 2010 e dezembro de 2011. Nesse período a escola passou por um processo em que o diretor geral foi afastado do cargo e uma nova direção foi empossada pela Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro (SEEDUC). Os fatos foram narrados a partir da perspectiva de análise de Victor Turner, tendo como guia para a própria descrição etnográfica o conceito de drama social. Um evento extraordinário que ameaçou romper as relações reguladas pela norma deu início ao drama. Na crise desencadeada tornaram-se claras as linhas de força que estruturavam as relações sociais no interior da escola e desta com a SEEDUC. O diretor geral foi afastado, a escola passou por um período que podemos chamar de liminar, uma espécie de interstício entre a antiga norma e a que estava por vir com nova direção dentro dos moldes da nova gestão da SEEDUC. O rito tornou-se, finalmente, coletivo. Ocorreu, então, a expressão pública e simbólica da reconciliação entre as partes envolvidas no conflito com a reconstituição, ao menos temporária, do tecido social esgarçado. Ao final o código que prevaleceu foi aquele baseado no carisma, nos julgamentos morais e na afetividade. A nova gestão, portanto, não atingiu seu objetivo de impor uma nova organização definida por um código mais burocrático racional.Com isso, o drama não produziu uma ruptura, mas consolidou as regras tradicionalmente vigentes naquela escola. Os atores daquela escola continuaram com a escola de sempre, continuaram os mesmos.

 

Banca examinadora:
Profa. Yvonne Maggie, Presidente
Profa. Mirian Goldenberg
Profa. Ana Pires do Prado