Banca examinadora

Prof. José Reginaldo Gonçalves, Presidente
Prof.Vagner Gonçalves
Prof. Peter Fry
Profª Beatriz Heredia
Profª Márcia Contins


Resumo

Nesta tese, apresento o estudo realizado sobre a divulgação e implantação de projetos de “revitalização urbana” idealizados pela prefeitura carioca nos bairros portuários da Saúde, Gamboa e Santo cristo. Como o Morro da Conceição havia sido definido o setor prioritário de criação de novas unidades habitacionais, desenvolvi nele um trabalho de campo entre 2007 e 2009, quando percebi que seus espaços portavam diferentes cosmologias e formas de habitar, cada qual estruturando seus espaços a partir de múltiplas relações de oposição. Mas, na proposta elaborada pelos urbanistas da prefeitura para a sua “revitalização”, os sobrados habitados por diferentes núcleos familiares ligados ao trabalho no porto e ao pequeno ou informal comércio haviam sido classificados como “insalubres”, “vazios” ou “inválidos”. Direcionei então a pesquisa para grupos que se contra posicionavam às propostas e classificações da prefeitura, se auto identificando herdeiros de um patrimônio “negro” e “do santo” e operando uma cosmologia e imaginário próprios, que denominei de “mito da Pequena África”. Nesse mito, os espaços do Morro da Conceição e da Zona Portuária não eram apenas um território e natureza inanimados a serem dominados e explorados economicamente, mas igualmente constituídos por humanos, animais, plantas, deuses e mortos, e em constante criação e dissolução.