Esta dissertação analisa o processo de transição entre modalidades de organização e institucionalização das relações de poder em favelas, das associações de moradores às organizações não governamentais. Desenvolvendo uma crítica à leitura consagrada de que as associações de moradores perderam espaço em decorrência da crise de legitimidade desencadeada pela articulação do tráfico de drogas em favelas, apresento uma interpretação alternativa, que aponta uma série de continuidades entre elas e as ONGs que proliferaram nas favelas ao longo dos anos 1990. Focando nos efeitos da contratação de agentes comunitários pela prefeitura, com o objetivo de prestar o serviço de creche no Borel, na Tijuca, reconstruo os conflitos entre as várias organizações de base que proliferaram em favelas no período da redemocratização e analiso a crise de representatividade das associações de moradores. Argumento que a urbanização abriu um mercado de trabalho social que extrapolou os limites da rede de poder das associações de moradores, gestando uma nova lógica política, consolidada pelas “parcerias” com o terceiro setor.

 

Banca examinadora:
Prof. Michel Misse, Presidente
Prof. Luiz Antonio Machado da Silva
Prof. Marcelo Burgos