Banca examinadora

Bila Sorj
Maria Luiza Heiborn
Suely Souza de Almeida
Maria Rosilene Barbosa Alvim
Jose Ricardo Ramalho

 

Resumo

A tese parte das novas configurações identificadas no atendimento e serviços destinados à adolescência “abandonada” e “carente” que se organizam a partir da expansão dos movimentos sociais e civis que passaram a reivindicar a “cidadania da criança e do adolescente”. O estudo analisa as conseqüências do ideal humanitário implicado na prática das instituições de atendimento aos jovens em “situação de abandono”, onde novas categorias e formas de classificação social são operadas. Através destas classificações interessou analisar como as instituições estão representando a vida social e sexual do seu público-alvo, considerando também as relações dos/as jovens a estas definições. O estudo foi desenvolvido em três instituições onde foram realizadas entrevistas com profissionais dôo atendimento e jovens beneficiários dos serviços. O sistema de classificação que está sendo operado apresenta uma produção de imagens sobre esta juventude que, ao ressaltar as suas condições de degradação social e econômica, investe num processo singular de estigmatização das experiências e sexualidade deste grupo. A principal conclusão foi que a forma como os discursos da “cidadania adolescente” são colocados, distanciam os/as profissionais do atendimento das experiências e biografias jovens. Isto não chega a mudar, e de certa forma ajuda a produzir versões que apresentam os/as adolescentes como desviantes. Numa lógica e dinâmica muito própria, o limite da inovação nesse campo de serviços acaba sendo dado pelo próprio ideal humanitário que motiva as ações.

ABSTRACT

The thesis is based on new identified configurations of attendance and services aimed for the poor and “abandoned” adolescence that get organized from the expansion of social and civil movements that started to claim the “citizenship of children and adolescent”. The study analyses the consequences of the humanitarian idealism, attached to the practice adopted in institutions that work with teenagers in “situation of abandonment”, where new categories and social classifications are operated. The setting of such classifications has aroused the interest in analyzing how the institutions have been representing their benficiaries’ social and sexual life, considering this youth’s reactions to these definitions. The study was developed in three institutions where interviews with attendance professionals and beneficiaries of such service were held. The classification system that has being operated presents a production of images about this youth that, emphasizing its own degrading social and economical conditions, invests on a singular process of stigmatization of experiences and sexuality related to such group. The main conclusion lies in the fact that the way speeches over this “adolescent citizenship” are made lead the attendance professionals apart from the experiences and biographies of their beneficiaries. This help to reproduce versions that, to some extent, present these young people as outsiders. Based on a really peculiar logic and dynamics, the limit to innovations in this service field ends up being concerned with the humanitarian idealism itself that motivates the action.