Carolina Botelho Marinho da cunha Giglio


Banca examinadora

Elisa Pereira Reis
Maria Ligia Oliveira Barbosa
Márcio da Costa

Resumo

Esta dissertação analisa a visão de setores da elite brasileira sobre pobreza e desigualdade no Brasil, a partir de artigos de jornais publicados entre os anos de 1992 e 1997. As elites são consideradas nesse trabalho como grupo social indispensável para a compreensão da situação de desigualdade e pobreza no Brasil, uma vez que são responsáveis pela formulação, transformação ou manutenção de políticas sociais para a sociedade. Neste sentido, a perpetuação da pobreza e desigualdade, pode ser compreendida a partir da análise das decisões das elites na sociedade. Defendo a idéia que uma das possíveis explicações para a manutenção da pobreza e da desigualdade no Brasil decorre do fato que nossas elites, embora se mostrem sensíveis aos problemas sociais, não se percebem como responsáveis pela solução dessas questões, diferenciando-se, dessa forma, das elites estudadas por Abram De Swaan na Europa e Estados Unidos.


ABSTRACT

Poverty as viewed by the elites

My study deals with perceptions about poverty and inequality among Brazilian elites. It uses press material to identify these perceptions, exploring articles written by members of the elite. I worked with a sample from seven daily newspapers published in four large Brazilian capital cities during the period 1992-1997. My analysis concentrates mainly upon the sector the elite member belongs to, and upon the particular poverty/inequality subject the written texts explore. It concludes that such differences do not introduce much variation in the perception of the elite members: the overall conclusion is that the elite as such tends to be highly perceptive of the negative externalities of poverty and inequality. However, concern about such problems does not mean that the members of the elite are willing to recognize their social responsibility towards the poor. My general conclusion is that elites in Brazil have not developed a full social consciousness in the terms of the concept developed by Abram de Swaan to analyze the role European elites played in the historical development of the welfare state there.